Quando eu era criança, na aldeia onde cresci ( na zona saloia ), as pessoas mascaravam-se com roupas velhas, trapos na cara e iam de porta em porta com um pau na mão e um andar desengonçado ( para não os reconhecermos através do andar ) pedir filhoses e um copo de vinho. A piada estava no facto de, apesar de sermos todos vizinhos, não reconhecermos ninguém pois além do andar disfarçado os " caraceiros " também não falavam, imitiam uns grunhidos ... isto assim parece bastante assustador ( e era um bocado ), mas também era muito excitante !
Enfim, passado um bocado, ou através de um determinado trejeito do corpo ou de uma gargalhada que escapáva lá acabávamos por descobrir a identidade dos caraceiros e no fim lá se desmascaravam e bebiam um copo de vinho e comiam umas filhoses entre uns dedos de conversa e umas boas gargalhadas !
Tudo isso acabou por desaparecer e agora adultos e crianças mascaram-se com roupa do "chinês" e vão ver umas mulatas " descascadas " a sambar ao som de música brasileira numa terriola qualquer ... o mais rídiculo e deprimente é, em vez de brasileiras, vermos "nativas " branquelas cheias de celulite no rabo a tentar desesperadamente sambar ... que visão tão triste ... ainda por cima todas arrepiadinhas, porque aqui é INVERNO senhores !
Depois há o chamado Carnaval Português, como o de Torres Vedras com os seus carros alegóricos que visam criticar os podres actuais da nossa sociedade; mas depois as matrafonas estragam tudo ... enfim, Freud explica ...
Felizmente que nalguns pontos do país ainda se conservam e promovem tradições que se perdem nos tempos e que conseguem atrair cada vez mais turistas; falo nos Caretos de Podence, nunca vi ao vivo mas adoro os fatos e as máscaras e ao menos são fiéis às suas raízes ...
E um exemplo dos " caraceiros "










