Passei a semana em pulgas para que chegasse o fim de semana para, com calma, pôr em práctica as ideias que andava a cozinhar aqui na minha cabecinha; o sábado chegou finalmente e foi com um enorme prazer e entusiasmo que pus em práctica algumas das minhas ideias; para variar a 1ª experiência não correu bem e foi tudo para o lixo, mas não desanimei, respirei fundo, ajustei as temperaturas e o tempo e o resultado foi positivo, tão positivo que nem deu para partilhar com o resto da família e amigos para saber as suas opiniões !
Como disse, vou dando passinhos de bébé e em breve espero poder partilhar aqui esse meu novo projecto, até lá wish me luck ;)
Eu começo a desconfiar que, tal como Fernando Pessoa, também eu sou uma " histeroneurastênica " ...
A minha cabeça ultimamente anda a mil, não sei se me divido ou multiplico em ínumeras personalidades que, embora nada tenham a ver umas com as outras, se complementam e fazem de mim quem eu sou; se num dia parece que descobri a pólvora e digo Eureka e tudo faz sentido, no dia seguinte parece-me o maior disparate do mundo e desanimo por mais umas semanas; depois volta a ocorrer-me uma ideia brilhante e faço mil e um projectos e digo para mim mesma " é isto, é isto, como é que eu não pensei nisto antes ? " ...
A verdade é que vivemos tempos muito difíceis e temos de pensar mesmo num plano B; há tanta coisa que eu gosto, tantas com as quais me identifico e que gostaria de fazer, mas esta crise tolhe-me a coragem, tenho medo de arriscar, de investir num país onde as pessoas andam cada vez mais assustadas e sem saber o que lhes reserva o dia de amanhã ... entretanto vou dando passinhos de bébé e pondo em práctica algumas ideias no meu "laboratório " !
E eu quero acreditar em melhores dias ... e afinal o futuro é já amanhã :)
Preciso desesperadamente de um ano sabático ... estou farta de limpar rabos, ranhos, apertar calças e atacadores, ouvir gritos e queixinhas o dia inteiro ... ufa ! cansa ...
Toda a gente sabe que as crianças são o melhor do mundo ( olha agora até dava para escrever uma cançãozinha à moda da outra dos maridos e acreditem que adjectivos não me faltam !) mas prosseguindo, as criança têm tanto de adorável como de chatas; fala-vos a mãe de 2 crianças maravilhosas mas cansativas como o caraças; portanto a mais nova acorda às 6.45 e a mais velha vai para a cama às 9.30, pelo meio passo o dia com 16 crianças de 3 anos ... chiça parece que estou sempre em modo de educadora de infância e isso cansa !
Eu só queria passar um dia inteiro sozinha em silêncio será pedir muito ? ...
Como dizia o Pedro Paixão " Viver todos os dias cansa ".
Que bom podermos afastarmo-nos do bulício da cidade e passar uns dias no campo; que bem que soube voltar à nossa casinha; dormir com um cobertor mais quentinho, ler sem as distrações do costume ( leia-se computador ), ver a terra pintada com as cores de Outono, sentir já o cheiro a lenha a queimar nalgum fogão, passear, contemplar um mar em tons de azul e prata, comer pão com chouriço ainda a fumegar; ver as filhotas a brincar na terra, sentir um cheiro diferente no ar e começar a cantarolar canções de Natal :p
Todos os dias levanto-me às 6.45 e, embora me custe a sair da cama inicialmente, assim que chego à cozinha fico pasmada com o espectáculo diário que a aurora nos proporciona e que antes, quando acordava mais tarde, me passava completamente ao lado ... o silêncio em que a casa está mergulhada e as cores no céu imediatamente antes do sol nascer transportam-me para uma dimensão única em que eu e o sol comungamos de um momento só nosso, quase religioso.
Já aqui tinha partilhado umas fotos duma dessas manhãs e no outro dia vi neste blogue um post precisamente sobre a beleza do nascer e do pôr do sol que o fotógrafo Eric Cahan consegue captar de uma forma absolutamente brilhante; ora vejam aqui alguns dos seus trabalhos.
Aí senhor das furnas Que escuro vai dentro de nós Rezar o terço ao fim da tarde Só para espantar a solidão Rogar a deus que nos guarde Confiar-lhe o destino na mão
Que adianta saber as marés Os frutos e as sementeiras Tratar por tu os ofícios Entender o suão e os animais Falar o dialecto da terra Conhecer-lhe o corpo pelos sinais
E do resto entender mal Soletrar assinar em cruz Não ver os vultos furtivos Que nos tramam por trás da luz
Aí senhor das furnas Que escuro vai dentro de nós A gente morre logo ao nascer Com olhos rasos de lezítia De boca em boca passar o saber Com os provérbios que ficam na gíria
De que nos vale esta pureza Sem ler fica-se pederneira Agita-se a solidão cá no fundo Fica-se sentado à soleira A ouvir os ruídos do mundo E a entendê-los à nossa maneira
Carregar a superstição De ser pequeno ser ninguém E nã quebrar a tradição Que dos nossos avós já vem