sábado, 9 de fevereiro de 2013

O que ficou para trás

A casa do meu sogro é um daqueles casos em que só lhe demos o devido valor quando a perdemos, não é que não lhe déssemos valor mas nunca nos ocorreu que o meu sogro quisésse vender a casa e nós ficarmos sem ela ... para sempre ...
As férias em que lá íamos passar uns dias eram uma aventura em que eu , qual Indiana Jones, enfiava-me na "loja " em busca da "arca perdida " !
Muitos tesouros encontrei que o meu sogro julgava perdidos para sempre; lavei-os, alguns tive de colar e devolvi-os à casa onde sempre viveram.
As pessoas que nasceram, cresceram e que vão morrendo juntamente com a casa e os seus objectos não lhes dão o valor que nós lhes damos; para nós são preciosidades para eles são objectos banais do dia a dia.
Nos anos 80 houve muitos antiquários que andavam nas aldeias em busca destas preciosidades; em troca de pratos, terrinas, travessas já rachadas, alguns com agrafos, convenciam as pessoas a trocar por serviços de loiça ou vidro e no fim todos ficavam satisfeitos, os primeiros porque tinham trocado ouro por batatas e os segundos porque se tinham livrado dos tarecos velhos e ficado com uns novos ...
A família do meu sogro era uma família relativamente abastada em comparação ao resto da aldeia, mas ao longo dos anos houve muita coisa que desapareceu; restaram poucas loiças, poucos móveis, e quando os irmãos mais velhos, que ainda viviam lá em casa, decidiram fazer nalgumas partes da casa, aquelas obras espectaculares em que se substitui as janelas e portas de madeira pelas de aluminio, o chão e tectos de madeira por cimento, os móveis centenários cheios de bicho da madeira e caruncho por novos de fórmica, houve muita coisa que foi atirada para a loja e outras coisas simplesmente foram deitadas para o lixo ou queimadas ...
Então o que restou foi pouca coisa em comparação ao que já tinha havido; mesmo assim havia ainda um lindo louceiro que nós, sozinhos, restaurámos e que era a jóia da coroa lá de casa, onde colocámos as loiças mais antigas e outras peças que andavam perdidas pela casa.
O louceiro ficou, a cómoda que viram no post anterior também, malas, arcas e baús alguns com roupas comuns mas outros com peças de linho antiquíssimas também ficaram ( só trouxe algumas peças ) , a mesa da sala, as cadeiras e os banquinhos ( só touxe um ) também não pudemos trazer, as camas de ferro, a grande panela de ferro também ficou para trás ... e ficaram as escadas de granito onde nos sentávamos depois do jantar a conversar e onde o meu sogro ano após ano contava as mesmas histórias e nós, mesmo já as tendo ouvido dezenas de vezes, voltavamos a ouvir com a mesma atenção e voltavamos a fazer as mesmas perguntas que sabíamos que o meu sogro contava que as fizesssemos; ficou o morceguito que ao lusco fusco lá nos vinha cumprimentar com os seus voos circulares, ficou o som dos animais nas lojas dos vizinhos, ficou a paisagem das terras que se perdia de vista até à Serra da Estrela que víamos da janela da cozinha, ficou muito mais do que eu alguma vez  conseguiria aqui escrever ... agora já está, acabou.
A senhora que comprou a casa vai remodelá-la para o filho que voltou da Suiça, embora o meu sogro lhe tenha pedido para ela o contactar caso encontre algo que ela sinta que pertença à família tenho as minhas dúvidas; no fim ela é que ficou com  a "Arca perdida " que afinal sempre esteve ali em frente aos nossos olhos ...
 
 





 
A história continua, mas o capítulo do Marmeleiro chegou ao fim.
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Outras relíquias

Duas das peças mais antigas e valiosas que o meu sogro tinha lá em casa, eram um relógio e um Cristo, ambos com mais de 200 anos (pois já pertenciam a uma tia do meu sogro que, era ele ainda criança, e ela já tinha perto de 90 anos ).
O meu sogro fez questão de ficar com o relógio e o Cristo foi para o outro herdeiro; além do relógio trouxe ainda um quadro bordado por uma das irmãs e é ela que aparece na foto quando era criança.






O sobrinho do meu sogro e a esposa ficaram com o Cristo e outro quadro bordado pela Mimi


( ninguém estava com muita pachorra para as minhas fotografias portanto algumas foram tiradas de fugida, antes que arrumassem as coisas, e acabaram por ficar  muito más ... )

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Um ciclo que se inicia

O  meu sogro, agora com 79 anos e o mais novo de 9 irmãos ( já todos falecidos ) , o ano passado decidiu vender a casa de família e as terras; nós fomos lá com o intuito de trazer o máximo de objectos que fizeram parte da família, e eu fiquei incubida de escolher e trazer aquilo que eu entendesse ser de mais valor, mas sem antes chegar a um consenso com a outra herdeira; felizmente que as " negociações " correram bem e acabei por conseguir trazer os objectos que eu sabia que eram especiais para o meu sogro através das histórias que ele nos contava ( e conta ).
Infelizmente não conseguimos trazer tudo o que queríamos, o nosso carro não é muito grande e depressa ficou a abarrotar, e alugar uma carrinha de transporte estava fora de questão devido aos custos elevados ( já que a aldeia fica perto da Guarda e nós somos de Sintra ) mas fiquei com o coração partido por deixar tantos tesouros para trás ...
aqui tive oportunidade de mostrar o que trouxe, mas só recentemente consegui encontrar o espaço adequado para algumas peças, as outras vão ter de esperar ...
Recentemente tive algumas ideias relativamente aos pratos e à terrina, mas depois não gostei do resultado final; assim, para já, já tenho algumas peças expostas na minha casa, que penso que se integram de forma harmoniosa e que me deixam muito feliz por permitir que de alguma maneira estas peças com tanta história  e com tantas histórias perpetuem as memórias de família e que se fundam na nossa própria história, e ver a cara de satisfação e gratidão do meu sogro enche-me o coração :)
 
 
 

 
Agora que vejo as fotos, acho que vou pôr as garrafas na prateleira do meio e tirar aqueles dois conjuntos de chá que estão atrás do pote dos "esquecidos" ...
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Almost ...

A Primavera já se vai fazendo anunciar !
Que bom ! Gosto muito do Inverno mas agora já estou pronta para sair da toca e gozar os dias mais longos e cheios de sol , deliciar-me com a chegada das flores e sentir no ar o perfume do jasmim e das glícinias ...
Até os passarinhos já cantam com mais alegria já repararam ?






 
 
 
 

 
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

...

Porque infelizmente é uma realidade cada vez mais próxima de cada um de nós, porque é uma doença  silenciosa; não descurem a vossa saúde, façam os rastreios adequados à vossa idade e estejam atentos a quaisquer sinais ou sintomas estranhos e/ou persistentes ...

 
 
 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

1º Aniversário

Só hoje me dei conta que ontem fez um ano que criei este blogue !
Tem sido uma experiência muito enriquecedora pois graças ao blogue tornei-me uma pessoa ainda mais atenta às pequenas grandes coisas do quotidiano que tornam os meus dias mais especiais e que gosto de partilhar aqui.
Também estou muito grata às pessoas que tenho "conhecido" através do blogue que também partilham os seus momentos e que me fazem sorrir, suspirar, refletir e sonhar ...

Muito obrigada a todos os que passam por aqui e que deixam algumas palavras
It means a lot to me ;)
 

 
Como já aqui partilhei,criei o blogue na fase mais difícil pela qual passei até hoje, é fácil afundarmo-nos no lodo da tristeza, das dúvidas e do terror que é perder alguém que amamos muito; quando li esta frase deu-se um click cá dentro e senti dentro de mim as nuvens a dissiparem-se e o sol começou a brilhar outra vez.
O que importa realmente é o amor e a alegria de partilharmos pequenos gestos,olhares e sorrisos com a nossa gente, e porque não com o resto do mundo, de estarmos gratos à " eterna novidade do mundo"
                                                                               ...
 
" The little things ? The little Moments ? They aren't little. "

John Zabat-Zinn
 
 
Obrigada :)
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

DMB DAY - Seek Up

Adoro esta música e esta é sem dúvida a minha versão preferida !
Fico sempre emocionada quando a oiço de tão linda e intensa que é
* ai ai * nunca mais cá vêm dar outro concerto  snif snif ...