quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dentro da gaveta da casa de banho ...

Todos os dias vou a casa dos meus pais deixar a minha filhota bébé; é estranho dizer " a casa dos meus pais " ... foi lá que cresci e onde sempre vivi, agora tenho a minha casa e a casa dos meus pais já não é a minha casa ... às vezes vindo do nada sinto uma nostalgia tão grande, uma ternura tão imensa quando olho para os meus pais e constacto que eles estão a ficar velhotes e sinto um aperto no peito e apetece-me sentar ao colo deles e abraça-los com muita força durante muito tempo ...
Depois digo que preciso de ir à casa de banho, sento-me na sanita e vejo a roupa do meu pai e da minha mãe penduradas no cabide atrás da porta,vejo os seus relógios e os brincos da minha mãe, abro a gaveta do móvel da casa de banho e fico a olhar para a tesourinha, a calçadeira, o pente e os cintos, tudo igual como antes, e sinto uma ternura tão grande por ver tudo assim arrumadinho, e sinto um amor tão grande pelos meus pais , e sinto uma gratidão tão grande por ter crescido tão feliz entre aquelas paredes e saio da casa de banho e vou dar um beijo ao meu pai a ouvir a sua telefonia com a sua antena improvisada e vou dar um beijo à minha mãe que já anda a correr atrás da netinha e saio de casa a sentir um misto de felicidade e de tristeza ... tudo passa ...
Hoje levei a máquina para registar esses fragmentos quotidianos que fazem parte das nossas vidas e que no fim de contas fazem também parte de quem nós somos e que põe alguma ordem neste correria que às vezes é a vida de adulto... às vezes dentro da gaveta da casa de banho não estão lá só os cintos, os pentes e a tesourinha ; às vezes estamos lá nós .
 
 
 
 
 
 

3 comentários:

  1. Que bonito, o que escreveste...

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  2. Gostei tanto de ler este post! Sinto o mesmo e custa tanto, e é tão bom ao mesmo tempo :))

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